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     Entrevista



Kjell-Børge Freiberg



Vice-ministro de Petróleo e Energia da Noruega

Brunno Braga

Em sua primeira visita ao Brasil, o vice-ministro de Petróleo e Gás da Noruega, Mr. Kjell-Børge Freiberg, reafirmou o interesse do país nórdico, um dos mais importantes produtores de petróleo no mundo, pelo mercado brasileiro, mesmo com os entraves causados pela grave crise política e econômica. Ele veio, em conjunto com a vinda de uma comitiva da Noruega, liderada pelo princípe da Noruega, Haakon, que contou ainda com a presença da ministra do Comércio e Indústria, Monica Mæland, e com uma delegação de 100 empresários para firmar acordos de negócios.

Entre encontros com o vice-presidente, Michel Temer, e com o ministro de Minas e Energia do Brasil, Eduardo Braga,em Brasília, e participação em dois seminários de óleo e gás offshore, indústria naval e energias renováveis no Rio de Janeiro, Freiberg também visitou o Cenpes para ver o projeto de Pesquisa e Desenvolvimento para criação de robôs offshore desenvolvido numa joint-venture entre Brasil e Noruega. Durante sua passagem, ele falou, em entrevista exclusiva à Macaé Offshore, sobre as relações entre Brasil e Noruega no segmento offshore, as suas potencialidades, a crise na Petrobras e o atual cenário norueguês de óleo e gás e sobre os impactos da queda do barril na economia norueguesa. “Apesar da atual situação econômica que o Brasil está enfrentando agora, a maioria das empresas norueguesas tem uma visão de longo prazo para as suas atividades e investimentos”. Leia, em seguida, os principais trechos da entrevista:

MACAÉ OFFSHORE - Qual é a importância do segmento de óleo e gás do Brasil para a Noruega?
KJELL-BøRGE FREIBERG - O Brasil é o maior mercado offshore do mundo e o segmento offshore de óleo e gás é a principal indústria da Noruega. O Brasil é o terceiro maior mercado exportador para a indústria norueguesa, atrás da União Europeia e Estados Unidos e isso é extremamente importante para nós. Empresas norueguesas têm investido mais de US$ 24 bilhões no Brasil e estão empregando cerca de 22 mil pessoas. Eles estão também aumentando investimentos em projetos de pesquisa e desenvolvimento no Brasil em cooperação com parceiros locais. Nós entramos em um acordo de cooperação focando no setor de óleo e gás, chamado BN21 e nós agora estamos vendo vários resultados excelentes vindos desse acordo. Nós esperamos que essas atividades cresçam no futuro. Apesar da atual situação econômica que o Brasil está enfrentando agora, a maioria das empresas norueguesas tem uma visão de longo prazo para as suas atividades e investimentos e pretende fazer o possível para que elas fiquem mesmo durante essa crise. Todos os executivos dessas empresas me contam que eles espe-ram que a situação melhore no futuro tão logo as condições necessárias de mudanças aconteçam.

M.O. - Na sua visão, quais são as vantagens e desvantagens para as empresas norueguesas de óleo e gás fazerem negócios no Brasil?
K.F. - A vantagem está nas oportunidades existentes neste mercado – ainda que com um volume menor de investimentos do que antes, Brasil é um imenso mercado com recursos abundantes e necessidades tecnológicas que são muito relevantes para os fornecedores noruegueses de bens e serviços. Petrobras é uma operadora muito competente, que tem tecnologia de ponta, uma verdadeira líder em operações em águas profundas. Além disso, elas têm acesso a uma mão de obra competente assim como a fundos de investimentos e inovação. Brasileiros e noruegueses parecem cooperar muito bem. As desvantagens são as mesmas que as empresas norueguesas e outras companhias internacionais e estão relacionadas às atuais condições de mercado. A burocracia pode ser um outro complicador, especialmente para pequenas empresas com limitada capacidade administrativa.

M.O. - O segmento de óleo e gás no Brasil está passando por sérios problemas em razão das investigações sobre corrupção na Petrobras. O senhor acha que este cenário atual pode comprometer as relações de negócios entre Brasil e Noruega?
K.F. - A minha Impressão é de que o Brasil está lidando a operação Lava Jato de forma competente e estruturada. Isso ilustra como as instituições no país estão trabalhando bem. Por isso, nós esperamos que quando a situação for definida de maneira correta, o Brasil vai emergir mais transparente e com um mercado mais flexível.

M.O. - Há algum acordo de P&D entre Brasil e Noruega para o segmento de óleo e gás?
K.F. - Sim. Há o MOU (Memorando de Entendimento) chamado BN21 (Brasil-Noruega no século 21), que foi assinado em 2013 e em 2014 esse memorando foi seguido da assinatura de três acordos adicionais entre FINEP, CNPq e Conselho de Pesquisa e Inovação da Noruega. Assim, nós estamos dispostos a oferecer fundos em conjunto para projetos de inovação com players do segmento de óleo e gás brasileiros e noruegueses, com o objetivo de superar desafios relevantes para os dois países. Nós entendemos que há um grande interesse por essas iniciativas. No dia 23 de novembro nós realizamos a 3ª Conferência Anual para Colaboração em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para a Indústria de Óleo e Gás entre Noruega e Brasil. Mais de 150 pessoas compareceram e nós esperamos ainda mais projetos bilaterais como resultado deste importante encontro.

M.O. - Há atualmente empresas fornecedoras brasileiras atuando na Noruega? Como as elas podem aproveitar as oportunidades que existem no segmento de óleo e gás norueguês?
K.F. - Dentro do meu conhecimento não há atualmente nenhuma empresa brasileira fornecedora da cadeia de óleo e gás atuando na Noruega, mas eu espero que isso aconteça no futuro e eu ficarei muito feliz em recebe-las. A Noruega é um país de economia aberta com uma vasta base internacional de fornecimento e nós sempre estamos interessados em receber empresas que possam agregar valor a essa base de competência.

M.O. - Há um forte debate no Brasil a respeito da lei de conteúdo local, muito criticada pelas majors que atualmente operam no Brasil. Há alguma lei similar na Noruega?
K.F. - Nós não temos uma política de conteúdo local na Noruega. A regulação de competição da União Europeia, que está em vigor desde 1994, não permite que haja este tipo de política. A Noruega tem uma força de trabalho altamente qualificada e competitiva internacionalmente no que diz respeito a serviços e fornecimento de equipamentos para indústria ao longo de 40 anos de atividades petrolíferas na Noruega. Cerca de 40% das receitas da indústria de serviços e fornecimento da cadeia da indústria vêm do mercado internacional. Nós acreditamos que a competição é um meio no qual traz benefícios para a economia como um todo e encoraja empresas a se tornarem mais eficientes e inovadoras.

M.O. - Qual é a importância da indústria de óleo e gás dentro do PIB da Noruega e quantas pessoas essa indústria emprega atualmente?
K.F. - A indústria de óleo e gás tem um papel muito importante para a economia e finanças da Noruega. Em 2015, o segmento de petróleo representou 15% do PIB norueguês. Isos faz com que o segmento de petróleo se configure como a maior indústria da Noruega. No entanto, isso não inclui a nossa indústria de supply chain, que representa o segundo mais importante segmento industrial do país. A indústria do petróleo está presente em 424 dos 428 municípios da Noruega. Antes da queda no preço do barril, cerca de 150 mil pessoas estavam diretamente empregadas no setor, incluindo cerca de 27 mil empregados pelas companhias e 126 mil pessoas em empresas de serviços e fornecimento de equipamentos. Esse número representava cerca de 7¨% de todos os empregos existentes na Noruega. Em 2014, as companhias de óleo e gás e as empresas ligadas à indústria demitiram milhares de pessoas. Primeiramente, isso não afetou a taxa de desemprego porque parte dessas pessoas foram absorvidas por outros setores ou outras companhias dentro do segmento de óleo e gás. Agora, a taxa de desemprego começou a crescer. Para 2015, estima-se que o índice chegue a 4,4% de desemprego frente a 3,5% registrado em 2014.

M.O. - Como a atual crise está afetando o setor de óleo e gás na Noruega?
K.F. - É uma época desafiadora para muitas companhias e para aqueles que perderam seus empregos, ainda que haja demanda pelos baixos preços do barril. No entanto, é também uma oportunidade para construir uma indústria mais forte. Ganhos de eficiência, modos mais inteligentes de trabalhar em parcerias e redução de custos estão na agenda das empresas hoje. Então, eu acredito que a indústria está caminhando na direção correta. Nós esperamos por um aumento das atividades na Noruega nos próximos anos. O timing de desenvolvimento do campo de Johan Sverdrup é o maior projeto industrial da Noruega em décadas e tem sido uma benção para a indústria. Eu fico contente de ver que a cadeia de fornecimento da Noruega se mostra competitiva e tem sido recompensada por grandes contratos para o desenvolvimento do campo.

M.O. - Como a Noruega atua para atrair as grandes empresas para atuarem no país? Quantas empresas operadoras de O&G atuam hoje?
K.F. - Um dos principais objetivos da política de petróleo da Noruega é fazer com que haja um marco legal para uma utilização efetiva e lucrativa dos recursos naturais. Em 2000, havia cerca de 28 companhias de óleo e gás operando na Noruega. Como parte dos campos se tornaram maduros ao longo dos anos e diferentes desafios apareceram, as autoridades norueguesas consideraram como importante fazer ajustes para encorajar a competição e assegurar que há interesse suficiente em diferentes áreas de trabalho e desafios que precisam ser superados. Como resultado, hoje temos 37 operadoras na Noruega e outras 19 como parceiras e produção.

M.O. - Qual é a percentagem da Statoil no mercado de O&G da Noruega?
K.F. - A Statoil tem um papel muito importante no mercado de óleo e gás na Noruega. Dos 82 campos em produção hoje, a Statoil opera em torno da metade.

M.O. - Há no Brasil um grande debate a respeito do forte intervencionismo estatal na Petrobras. Como atua o governo norueguês na Statoil? Há também políticas intervencionistas na estatal norueguesa de petróleo?
K.F. - O Estado norueguês detém 67% da Statoil. O objetivo do controle estatal da Statoil é manter a base de conhecimento e alta tecnologia industrial comandadas pelos líderes do governo na Noruega. A companhia é dirigida dentro de uma linha comercial e com o objetivo de ter um retorno competitivo. O governo da Noruega desenvolveu uma série de princípios de governança corporativa em companhias como a Statoil: • Todos os acionistas devem ser tratados com igualdade • Decisões e resoluções do controlador têm que ser tomadas em assembleias gerais • A diretoria é responsável pela elaboração explícita dos objetivos e estratégias para a companhia dentro dos dispositivos legais da associação. O ministro do Petróleo e Energia entende e respeita os papéis e responsabilidades da boa governança corporativa. A diretoria e gerência da Statoil são responsáveis para todas as operações, investimentos e estratégia. O ministro do Petróleo e Energia não está representada na diretoria da Statoil e não forma maioria acionária e nem intervém em qualquer decisão tomada pela companhia.



"Este conteúdo é de propriedade da Macaé Offshore. O conteúdo pode ser reproduzido desde que citada a fonte"

 
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