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Matérias / Política e Economia
 
S&P revisa perspectiva da economia brasileira para negativa
Agência de classificação de risco cita baixo crescimento e expansionismo fiscal. Chance de nota do Brasil ser rebaixada é de 'uma em três'
07/06/2013

Rio e Brasília -  Uma combinação de fraco crescimento da economia, pressão inflacionária, política fiscal expansionista e perda de credibilidade na política econômica brasileira levaram nesta quinta-feira a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) a colocar a nota dos títulos da dívida brasileira em perspectiva negativa, o primeiro passo para cortá-la.

É a primeira vez que isso acontece desde 2002, quando a expectativa de vitória de Lula nas eleições provocou forte turbulência no mercado financeiro e o dólar chegou próximo dos R$ 4. O Brasil tem atualmente classificação de risco (o chamado rating) de “BBB” pela S&P, o chamado “grau de investimento”, referência usada pelo mercado para avaliar se o país é seguro para investir.

 — O crescimento da economia do Brasil tem sido baixo e a resposta do governo tem sido uma política fiscal mais expansiva, com deterioração do superávit primário. O problema é que o investimento privado não está se desenvolvendo e a melhora no primeiro trimestre veio de uma base baixa de comparação. A estratégia do governo não tem funcionado e cria incertezas daqui para frente — disse Sebastián Briozzo, diretor responsável pelo rating do Brasil na S&P, em entrevista ao GLOBO.

 Ele diz que a redução da poupança feita pelo governo para pagar juros da dívida pública, o chamado superávit primário, pode criar dificuldades.

 — A elevação da dívida pública pode trazer riscos mais importantes. Quanto maior for a dívida, o governo terá mais dificuldades para financiá-la e menos espaço para fazer política de incentivo quando precisar — disse o analista.

 Argentina e Venezuela foram os últimos países colocados em perspectiva negativa, com rating respectivamente de B- e B+, mas Briozzo diz que a situação do Brasil não é comparável e que possui outros desafios.

 — É outra situação de desenovlvimento e estabilidade. Argentina e Venezuela não possuem políticas econômicas sustentáveis. Nesses dois países tem processos de polarização política que não tem nada a ver com o Brasil, que possui rating muito mais alto que eles.

 PIB deve crescer 2,5% este ano

 Em comunicado nesta quinta-feira, a S&P afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) deve crescer 2,5% neste ano, no que seria “seu terceiro ano de crescimento econômico modesto”. A agência culpou os atrasos no estímulo ao investimento privado — especialmente na área de infraestrutura — pelo baixo crescimento. A agência não descarta a hipótese de um rebaixamento num prazo de até dois anos.

 “Nós poderíamos rebaixar o rating de crédito do país nos próximos dois anos se continuar o crescimento econômico lento, os fundamentos fiscais e externos mais fracos e a perda de credibilidade na política econômica”, informou. Ainda assim, a agência ponderou que também pode revisar a perspectiva para “estável” caso perceba iniciativas do governo capazes de gerar maior confiança no setor privado e, portanto, maior crescimento.

 A decisão provocou um efeito cascata sobre as notas de risco das empresas brasileiras. nesta quinta-feira, a S&P também colocou em perspectiva negativa o rating das estatais Petrobras e a Eletrobras. Em maio, a petro6leira levantou US$ 11 bilhões no mercado internacional de dívida, na maior operações de uma empresa de país emergente da história.

 O Brasil conquistou o grau de investimento cinco anos atrás. E foi a própria S&P quem concedeu o status ao país. Desta vez, ela também colocou o rating em moeda local (classificado como “A-”) em perspectiva negativa. Além da S&P, o Brasil tem nota de grau de investimento por Fitch e Moody’s.

 

Fonte: O Globo

 

 

 

 



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