|
Rodrigo Leitão
Em entrevista à Macaé Offshore, a assessora de gestão de riscos da Trade Energy, Regina Pimentel fala sobre o avanço da energia eólica no Brasil, mercado livre e o cenário para os próximos leilões de energia.
Macaé Offshore - A energia eólica deverá continuar sendo uma das fontes de geração mais competitivas nos leilões de energia nova deste ano. Qual o cenário a curto/médio prazo para o setor de energia eólica para os próximos anos no Brasil?
Regina Pimentel - O governo tem comentado sobre sua expectativa de crescimento da participação da energia eólica na matriz elétrica nacional, pode chegar a 10%. Dado que o índice de participação atual é bastante baixo, menor que 1%, a margem para crescimento é ainda muito grande, com o potencial existente no Brasil.
M.O - A expectativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de que os preços da energia eólica recuem nos próximos leilões, previstos para serem realizados em outubro. Qual o preço médio na implementação de produzir energia eólica no Brasil?
R.P - Os preços da energia eólica desabaram e chegaram nos últimos leilões a preços da ordem de R$ 100/MWh. Mais recentemente, as exigências do Finame relativas ao nível de nacionalização dos equipamentos trouxeram algum impacto para as taxas de financiamento dos projetos. Isso poderá se refletir nos preços dos novos empreendimentos, dependendo das soluções adotadas pelo governo e BNDES.
M.O - Quais Estados são mais beneficiados com a construção de parques eólicos no país? Quais regiões são as mais importantes para o setor?
R.P -Do ponto de vista energético, a malha de transmissão brasileira, quase que totalmente integrada, permite beneficiar toda a matriz com essa energia, embora o potencial eólico mais aproveitado até o momento, e mais promissor, esteja em boa parte no litoral da região Nordeste, com sítios também muito bons no Rio Grande do Sul.
Uma questão importante para a criação e ampliação de parques eólicos é a sua integração à rede básica de transmissão, já que havia de regra muitos entraves ambientais à implantação das Instalações Coletoras de Geração, necessárias para integrar pequenas fontes de geração com a rede.
M.O - O mercado livre de energia está em constante ascensão no Brasil. Qual a projeção para o próximo leilão de energia no Brasil? Quanto será vendido/arrecadado. Quais áreas serão mais leiloadas?
R.P - O próximo leilão de energia regulada, que comprará energia para o mercado cativo, deverá contar com empreendimentos hidrelétricos – a visão estrutural é que usinas viáveis ainda são prioritárias. A demanda para esse leilão não deve ser grande, entretanto, porque as distribuidoras, que já vinham com um nível expressivo de sobrecontratação, não devem apresentar grande crescimento de demanda, devido ao reflexo da crise mundial na produção brasileira.
Já com relação ao mercado livre, os agentes defendem a isonomia, entre mercados livre e cativo, na disponibilização da energia mais barata, já que o primeiro já atende hoje 27% da demanda nacional, fatia que responde por boa parte da produção industrial brasileira.
M.O - No caso da energia elétrica, quais os prognósticos para os próximos meses no bolso do consumidor. As tarifas serão reduzidas? Como está o andamento das discussões?
R.P - A tarifa final para o consumidor é hoje uma grande preocupação do governo, que encara a redução do custo da energia como necessária para alavancar o crescimento econômico. Nesse contexto, está em discussão a possibilidade de redução de encargos fiscais e setoriais. A própria estrutura tarifária, bem como a metodologia de revisão, foi recentemente revista, de forma que houve uma perceptível redistribuição dos encargos de uso das redes.
|